Manejo alimentar de novilhas de reposição.

Dando continuidade à série de artigos sobre manejo alimentar de bovinos leiteiros, falaremos um pouco nesta edição sobre o manejo alimentar de novilhas de reposição.
01/05/2012


O potencial de produção de leite de uma vaca é determinando por três fatores: 1°) Habilidade da glândula mamária em produzir leite; 2°) Habilidade da vaca em prover nutrientes para o úbere; e 3°) Habilidade do fazendeiro em manejar e cuidar da vaca. A habilidade da glândula mamária em produzir leite é determinada principalmente pela quantidade de células secretoras de leite. O número de células secretoras é determinando pela genética e pelo ambiente durante o desenvolvimento mamário, especialmente durante o rápido crescimento mamário que ocorre antes e durante o período da puberdade, entre 3 e 12 meses de idade. Um programa alimentar adequado durante o período de crescimento é crucial para produzir animais que na primeira parição estarão com glândulas mamárias bem desenvolvidas, capazes de produzir leite à altura do potencial genético do animal, e que possua tamanho e condição corporal condizentes com o consumo elevado de alimentos, além de serem capazes de fornecer nutrientes para a glândula mamária.
Para minimizar problemas ao parto e garantir boa produção de leite, novilhas holandesas devem pesar entre 620 e 670 kg quando medidas antes do parto. O peso ao parto é o fator individual que maior influência exerce sobre a produção futura de leite, devendo ser considerado objetivo fundamental de qualquer programa de criação de novilhas. Novilhas de 1° cria devem parir com aproximadamente 85% do peso adulto das vacas (peso medido após o parto), o que representa peso aproximando de 570 kg para novilhas holandesas, e de 430 kg para mestiças Holandês-Zebu após o parto, lembrando que quanto mais sangue Zebu mais leve a vaca.
Para atingir o peso vivo de 570 kg após o parto, novilhas devem pesar aproximadamente 640 kg antes do parto, o que representa um ganho médio de 800 g por dia para atingirem a 1ª parição com 24 meses.
Desde o início do século XX, fazendeiros perceberam que uma maneira efetiva para reduzir os custos de criação de novilhas seria fornecer uma dieta mais rica em energia para aumentar o ganho de peso, adiantando a puberdade e reduzindo a idade ao primeiro parto. Entretanto, foi logo reconhecido que fornecer dietas de alta energia a novilhas durante o período de crescimento, aumentava a gordura corporal e reduzia a produção futura de leite. Essa redução na produção tem sido relacionada com o menor desenvolvimento da glândula mamária durante o período de crescimento pré-puberdade, ou seja, do desmame até a 1ª inseminação.
Um dos aspectos mais importantes na formulação de dietas de novilhas é escolher a densidade energética da dieta, ou, de maneira prática, decidir quanto de concentrado deve ser fornecido para suplementar as forragens.
As recomendações para ganhos de peso e concentrações dietéticas de energia e proteína são apresentadas na tabela 1. Estas recomendações pressupõem que o alimento será oferecido na forma de ração total, ou seja, o concentrado misturado ao volumoso com consumo à vontade, o que é desejável em uma situação de alimentação em grupo para encorajar crescimento uniforme. Assim essas recomendações para concentrações de energia na dieta são para garantir que os ganhos não excedam 800 g/ dia. Essas recomendações são para novilhas alojadas em grupos em um ambiente confortável, que são mantidas saudáveis, possuem água e comida disponível durante a maior parte do dia e amplo espaço de cocho.

Tabela 1 - Recomendações para alimentação de novilhas Holandesas com consumo a vontade para parição aos 23 meses.

 

Uma das chaves do sucesso de qualquer negócio é um bom programa de monitoramento. Peso e altura devem ser mensurados a desmama, ao redor dos 5 meses, à inseminação e logo após o parto. Se os pesos não podem ser obtidos por uma balança, utilize uma fita de pesagem. Deve-se evitar que as novilhas fiquem muito gordas. Outros fatores que devem ser monitorados incluem consumo de matéria seca e consumo estimado de energia. Se as novilhas estão crescendo muito rapidamente, faça mudanças dietéticas que resultem em menor consumo estimado de energia. Por exemplo, aumentar a porcentagem de volumoso feno na dieta provavelmente fará o consumo de energia cair.
Os custos associados com a criação de novilhas são investimentos. Tentar cortar estes custos seja com crescimento muito acelerado, dietas com baixa proteína, com alta uréia, ou cortar custos de mão de obra no monitoramento do crescimento, pode parecer vantajoso no curto prazo, mas existe um alto risco de que o corte de custos se tornará um erro muito caro. Por este e outros tantos motivos a Rações Scala dispõe de um programa nutricional completo para atender a todas as categorias de bovinos leiteiros como também disponibiliza aos seus clientes orientações técnicas de como produzir da melhor forma possível.

Referências Bibliográficas
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RANGEL, A. H. N.; CAMPOS, J. M. S.; OLIVEIRA, A. S.; VALADARES, FILHO, S. C.; ASSIS, A. J.; SOUZE, S. M. Desempenho e parâmetros nutricionais de fêmeas leiteiras em crescimento alimenadas com silagem de milho ou cana-de-açúcar com concentrado. R. Bras. Zootec. 39:2518-2526, 2010.
 

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